Tolerância, Respeito e Amor

Vivemos um tempo de contradições e de distorções dos princípios democráticos de liberdade, igualdade e fraternidade consagrados na revolução francesa e modelo de várias democracias.
A liberdade, muitas vezes confundida com libertinagem e sem parâmetros ou limites, é invocada como justificativa de atitudes muitas vezes atentatórias a própria liberdade do próximo. Então surge um questionamento: em nome da liberdade podemos tudo? Talvez uma resposta sensata seja o ensinamento de Paulo aos Coríntios. “Tudo é permitido, porém, nem tudo convém”.
As pessoas são diferentes. Possuem biótipos específicos, diferentes tons de pele e tipos de cabelo. Também possuem preferências distintas com em relação ao gosto musical, literatura, culinária, opção política ou religiosa. A tão sonhada igualdade de direitos é aperfeiçoada pela equidade, pois tratar pessoas diferentes de modo igual poderia ser injusto.
A humanidade não é fraterna. Por mais que se diga, por mais que se escreva, as pessoas continuam egoístas e tentam impor seus desejos, pensamentos e ideologias. O mesmo cidadão que posta mensagens de solidariedade à determinada causa do outro lado do planeta, não é solidário com o necessitado da sua rua. Defende a paz no oriente médio e agride o torcedor do time rival.
A semana foi marcada pelo atentado à equipe do jornal satírico francês “Charlie Hebdo”. Um massacre injustificável. Se devermos retirar lições de tudo o que ocorre na vida, a primeira deve ser em relação à tolerância. Não é possível pactuar com qualquer forma de violência. A segunda em relação ao respeito às opções religiosas. Qual objetivo ou proveito de um chargista, articulista ou humorista agredir as referências, ritos ou símbolos religiosos de milhões de pessoas? A terceira é quanto à ignorância sobre o atual quadro de divisão geopolítica e econômica do planeta.
Desde que o mundo é mundo, o homem se utiliza da fé e da religião para explorar, dominar e subjugar o outro. O rol de atrocidades cometidas em nome de Deus é incontável. As maiores religiões da atualidade em número de adeptos: cristianismo, islamismo, hinduísmo, budismo, além das religiões tradicionais da China estão recheadas de santidade e de atitudes extremistas, as menores também. A palavra religião vem do latim “religare”, que significa religação, uma volta do contato do humano com o divino. Curiosamente, os princípios defendidos pelos que se intitulam representantes das divindades e pelos seus adeptos os afastam cada vez mais.
Ninguém é obrigado a acreditar na religião alheia, nem tão pouco respeitá-la, mas deve lutar para garantir a liberdade de opção do outro e respeitar sua profissão de fé. Mais do que liberdade, igualdade e fraternidade, o mundo precisa de generosas doses de tolerância, respeito e amor.

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