Quem ganha com a crise?

Com o crescente aumento do dólar, muitas pessoas estão extremamente preocupadas, enquanto isso muitos estão festejando. Ao produzir em reais e vender em dólares, as empresas exportadoras ganham. O mesmo ocorre com muitas indústrias brasileiras que ficam mais competitivas em relação aos produtos importados. Também o turismo municipal é amplamente fomentado.
Durante anos especialistas têm alertado sobre a necessidade de medidas para garantia do uso racional da água potável. Com a recente crise hídrica o mercado que envolve produtos como distribuição de água em caminhão-pipa, caixa d’água, calha, reservatório, e galão de água mineral, além de serviços de perfuração de poços artesianos explodiu.
Diante da crise humanitária que assola a África do Norte e o Oriente Médio, o tráfico de pessoas e o mercado de especialistas em atravessar fronteiras foram ampliados. Prometendo facilitar a entrada de imigrantes na União Europeia surgiu um intenso comércio de passaportes sírios falsos, principalmente na Turquia.
As mazelas da saúde são constantemente utilizadas por vendedores de convênios de assistência médica e as incertezas da previdência pública aquecem o mercado de planos privados.
Muitas oportunidades de aquisição de imóveis, automóveis, bens duráveis em geral, ocorrem quando alguém está endividado, desfazendo um casamento, adoecido ou passando por dificuldades diversas. O que para alguns é desespero para outros é simplesmente negócio. Há os que agem de modo ilícito e os que ficam atentos às movimentações do mercado. Desta forma, constantemente encontramos pessoas que aproveitam os momentos de crise para legar vantagem. Um amigo costuma brincar que se não existirem as doenças e as tragédias, os serviços funerários não se manteriam.
Com a crise política ocorre o mesmo. Um princípio muito utilizado e que, pessoalmente eu não concordo, é aquele do quanto pior melhor. Em vários municípios, estados e governo federal, é nítida a ação de elementos que incentivam o caos, criando dificuldades para vender facilidades. De um lado opositores havidos em sangrar governos para oferecer em eleições futuras a imagem de correção, eficiência e competência que também não possuem. De outro um grupo igualmente repugnante dos falsos aliados que, semelhantes a vampiros, suga até a última gota de sangue e depois já visualizam a próxima vítima.
Em discursos inflamados nos parlamentos ou em programas de rádio e televisão, muito se comenta sobre a crise ética e moral que assola o país. Surgem muitos especialistas com análises variadas e raras sugestões objetivas de mudança. De fato, se pesquisarmos as opções e possibilidades de mudanças, talvez cheguemos a conclusão de que a crise será de difícil solução.É que na prática, muitos dos que apontam seus dedos em riste, tanto no profissional, quanto na vida pessoal agem de modo semelhante aos que tão incisivamente criticam. Outros se dizem preocupados, mas, em verdade, estão muito satisfeitos com o quadro existente. Com o passar do tempo perceberemos que enquanto poucos estão ganhando, muitos estão perdendo, aliás, esta foi a tônica dos quinhentos anos iniciais deste país: a riqueza de muitos nas mãos de poucos. Enquanto vários declaram que não querem pagar o preço da crise, alguns poucos entendem ser necessário a colaboração de todas as partes conflitantes para uma solução consensuada. Acredito que estes últimos merecem prosperar.

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