Papa Francisco e as quinze doenças

Ainda envoltos pelo espírito natalino e pelas celebrações de ano novo, algumas pessoas continuam trocando mensagens, especialmente por meio das redes sociais. Ontem recebi um vídeo sobre um discurso do Papa Francisco proferido durante o tradicional encontro de confraternização para o Natal dos membros da Cúria Romana, ocorrido em 2014.
Francisco elencou quinze “doenças” ou “tentações”, presentes no mundo moderno, inclusive na própria Igreja e que são perigosas para qualquer cristão, comunidade, congregação, paróquia ou movimento eclesial.
O Santo Padre nos convida como “seria belo pensar na Cúria Romana como um pequeno modelo de Igreja, ou seja, como um corpo que tenta seriamente e cotidianamente ser mais vivo, mais harmonioso e mais unido em si próprio e com Cristo”.
Ao se dirigir às lideranças católicas, o Santo Padre também provoca toda sociedade cristã a uma profunda reflexão sobre as seguintes doenças/tentações:
1. Sentir-se imortal ou indispensável. Quem não faz autocrítica não se atualiza e fica doente.
2. Martalismo. Uma remissão à passagem bíblica onde Marta, ao receber Jesus, mostra-se mais preocupada com as tarefas da casa do que ouvir a mensagem de Jesus. Essa doença do excesso de trabalho e falta de repouso produzem estresse e agitação.
3. Dura mentalidade. Perder a serenidade interior, a vivacidade e a audácia se escondendo atrás dos papéis sociais, deixando de ser ‘homens de Deus'”.
4. Excessiva planificação. Tornar-se semelhante a um contabilista que pretende pilotar até o Espírito Santo, planificando tudo minuciosamente imaginando que assim as coisas progridem.
5. Má coordenação. A má coordenação promove a perda da comunhão e faz com que o corpo reduza a sua harmoniosa funcionalidade.
6. Alzheimer espiritual. Redução progressiva das faculdades espirituais que incapacita o desenvolvimento de atividades autônomas, gerando um estado de absoluta dependência dos de pontos de vista, muitas vezes imaginários.
7. Rivalidade e vanglória. A preocupação excessiva com aparências e honras proporcionando falso misticismo.
8. Esquizofrenia existencial. Talvez uma das piores, é aquela busca por títulos que gera um vazio espiritual e uma vida dupla e medíocre.
9. Terrorismo das fofocas. A doença dos covardes que optam, por falar pelas costas, já que têm coragem de falar diretamente.
10. Divinizar os chefes. Viver no serviço pensando exclusivamente no que podem obter e não no que devem dar. É o mal dos que pensam em “carreirismo e oportunismo”.
11. A indiferença. Onde por ciúme sente-se alegria em ver a queda do outro em vez de o ajudar a levantar. 12. Cara de enterro. A severidade teatral e o pessimismo estéril muito presentes em nosso cotidiano.
13. Acumular bens materiais. Tentar preencher o vazio espiritual e colocar a segurança no acúmulo de bens.
14. Círculos fechados. Viver em grupinhos que mesmo com boas intenções correm o risco de cair em escândalos.
15. O lucro mundano e o exibicionismo. Quando o serviço ao próximo se torna poder e esse poder em mercadoria para obtenção de lucros mundanos ou mais poder.
Conscientes de que já estamos com algumas dessas enfermidades espirituais, fiquemos atentos ao tratamento proposto pelo pontífice. O restabelecimento da saúde é também fruto da consciência da doença e da decisão pessoal e comunitária de se tratar, suportando pacientemente e com perseverança a terapia. Vamos começar hoje?

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