Os valores essenciais da vida

Em sua tradicional mensagem de natal, o Papa nos convida a resgatar os valores essenciais da vida. Francisco recorda que Jesus Menino, a luz e esperança dos homens, optou por nascer na mais profunda miséria, em um estábulo na manjedoura dos animais.
A mensagem natalina sempre atual alerta nossa sociedade que balança em uma crise econômica, política e social sobre a necessidade de manter a simplicidade de coração que produz bondade, misericórdia e amor. As tradições estão mudando, os belos cartões, telefonemas e visitas estão sendo substituídos por mensagens virtuais, mesmo as comemorações entre vizinhos já não são as mesmas, a coletividade do natal está dando lugar ao individualismo.
Observamos neste natal, os comerciantes preocupados com possível queda nas vendas, mas no final, todas as lojas, supermercados e shopping centers estavam lotados. O desejo de manifestar apreço através de presentes é maior e a simbologia da mesa farta também. As luzes e árvores dotadas cada vez de mais tecnologia servem para compensar a ausência de brilho das almas.
Pelas ruas muitas pessoas reclamavam em ter de substituir as carnes e guloseimas mais caras, por outras mais simples. O mesmo em relação aos presentes. O Papa Francisco criticou justamente esta desnecessária preocupação com o consumismo: “numa sociedade frequentemente embriagada de consumo e prazer, de abundância e luxo, de aparência e narcisismo”, Jesus “chama-nos a um comportamento sóbrio, isto é, simples, equilibrado, linear, capaz de individuar e viver o essencial.”.
A glamorização do natal nos faz esquecer que o Reis dos Reis nasceu em um lugar sujo, fétido, desprovido de qualquer conforto. Ele experimentou a realidade de milhões de pessoas no mundo todo, alguns dos presépios atuais deturpam esta realidade.
Francisco também nos convidou a solidariedade: “No seio duma cultura da indiferença, que não raramente acaba por ser cruel, o nosso estilo de vida seja, pelo contrário, cheio de piedade, empatia, compaixão, misericórdia, extraídas diariamente do poço da oração.”.
Ao final tocou em uma das feridas mais expostas e negligenciadas da sociedade moderna. “Num mundo que demasiadas vezes é duro com o pecador e brando com o pecado, há necessidade de cultivar um forte sentido de justiça, de buscar e pôr em prática a vontade de Deus”.
Que a inspiração do discurso papal e todo o ambiente de reflexão proporcionado pelo natal nos motive a ações concretas de resgate dos valores que são essenciais à vida, entre eles, o amor.

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