O PAC e o interesse público

Até pouco tempo as lideranças políticas e a população em geral gostavam de destacar o crescimento das cidades. Ser elevada ao status de “cidade grande” era motivo de orgulho. Agora, existe a constatação de que não basta crescer, é necessário crescer de modo ordenado e planejado.
Um dos maiores problemas da população urbana é a falta de mobilidade. Urbanistas, técnicos de vários setores e especialistas de universidades debruçam-se em estudos para identificar e apresentar soluções para os impactos do trânsito e da mobilidade na vida das pessoas.
Quem vive nos grandes centros bem sabe que o tempo de deslocamento entre a residência e o trabalho consome grande parte do dia do trabalhador. Cansado, estressado, espremido e com reduzida qualidade de vida, a produtividade cai e os conflitos no lar ou no ambiente de trabalho ampliam.
Segundo dados do Ipea, o tempo médio de deslocamento nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Brasília, Fortaleza, Recife e Salvador é de 82 minutos. Na visão capitalista, se esses minutos perdidos em deslocamento fossem convertidos em horas trabalhadas, haveria um ganho de produção de R$ 300 bilhões ao ano, o que representa 7,3% do PIB brasileiro. Prefiro dizer que o trabalhador poderia estudar, divertir, amar, aproveitar oportunidades de esporte, lazer e cultura, enfim, viver mais.
Apesar do sonho que a maioria possui de ter seu veículo próprio, estudos indicam que se o transporte coletivo fosse mais seguro, confortável e rápido, a adesão popular seria bem maior. Nesse sentido o PAC Mobilidade Urbana do governo federal em parceria com os municípios é estratégico, pois garante a inclusão social com a universalização do acesso aos serviços públicos de transporte coletivo e das ações estruturantes para o sistema de transporte urbano.
A relevância de apoiar e qualificar a infraestrutura de mobilidade urbana é incontestável. Assim, Ribeirão Preto e os municípios que aderiram à ideia agiram muito bem investindo na sociedade atual e nas gerações futuras. A construção de viadutos, pontes, passarelas e túneis, além da adequação e duplicação de vias se traduz em benefício para os munícipes de todas as classes sociais. A construção de terminais, estações e pontos de parada com comunicação e informação adequadas, associado à identificação, paineis de informações com relação de linhas, horários e mapa dos arredores, ônibus atendendo no horário e com sinalização viária e urbanização resultam em benefício imediato aos usuários do transporte público.
Todas as etapas de uma obra ou serviço são importantes, inclusive o processo licitatório. O Brasil adota os princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos. Também evidencia a observância da seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável.
Existem interesses de todos os lados. Enquanto alguns apostam todas suas fichas no sucesso das obras, há outros empenhados e torcendo para tudo dar errado. Advogo a tese de que as paixões eleitorais e o jogo de interesses econômicos e políticos jamais poderão suplantar o interesse público. Nesse sentido é missão de cada um de nós participar, valorizar e acompanhar de perto o desenvolvimento das obras que estão sendo realizadas em nossa cidade e em todo país.

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