O Em tudo dai graças a Deus

Existem hábitos que adquirimos em nossas vidas e muitas vezes não sabemos a origem. Há algum tempo adotei a prática de em tudo dar graças a Deus e percebi que foi a partir da convivência com algumas pessoas que agiam da mesma forma. Com grande satisfação percebi que estava seguindo a orientação de Paulo que em sua primeira carta aos tessalonicenses orientava: “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”. 5:18.
Desde garoto devotei parte do meu tempo observando a reação das pessoas diante de determinados fatos e as formas distintas de enxergar o mundo. Diante da morte, por exemplo, alguns visualizam uma tragédia, outros um “descanso”, alguns o cumprimento de uma missão e existem os que defendem o início de uma nova vida.
Se fizermos o mesmo exercício no campo da política, economia, religião e família, observaremos que as divergências seriam ampliadas, então surge a máxima: “opinião, cada um tem a sua”. Na era da mídia social e da comunicação instantânea, diariamente recebemos milhares de informações, muitas verídicas, outras não. O tempo e a vontade para checar as fontes ou as razões é exíguo, assim vamos nos posicionando sobre determinados temas, sem sequer saber que muitas vezes, somos vítimas de sutil manipulação.
A onda de pessimismo que assola o país tem razões diversas e está gerando uma quantidade incalculável de murmuradores. Na onda do filme “Os Dez Mandamentos”, recordemos o povo de Israel. Formado por pessoas escravizadas durante anos, clamava por libertação, o Senhor Deus envia Moisés e, após vários milagres liberta o povo do jugo do Egito. No deserto clamam por comida e recebem o maná e codornas. Mas ao invés de agradecer a maioria reclamava de tudo, até das bênçãos Divinas.
Nesta semana participei de várias atividades referentes a controle de vetores, redução da violência, melhorias na saúde e educação, qualidade no serviço público, mais opções culturais, trânsito, empreendedorismo, enfim, temas diversos, mas com alguns pontos semelhantes. Vários especialistas entendem que a limitação de recursos financeiros pode ser superada com envolvimento comunitário e consciência da cidadania, mas em regra, as pessoas estão mais preocupadas em reclamar do que colaborar.
Aliás, existem aqueles que precisam de desculpas, muletas, justificativas para a infelicidade pessoal ou profissional. Jogam o foco de luz nos problemas e atitudes alheias para ocultar os próprios. Caminham no deserto emocional e espiritual e colocam a sua confiança no que não trará soluções.
Mas nem tudo está perdido, existe um considerável número de pessoas que sabedoras de suas limitações e qualidades, ao invés de churumelas, dão graças a Deus pela possibilidade de tentar colocar os seus talentos a serviço da comunidade.
A Campanha da Fraternidade deste ano traz o tema “Casa Comum, nossa responsabilidade” e busca garantir o direito ao saneamento básico para todas as pessoas. Cobra empenho das autoridades constituídas e da população em geral para o desenvolvimento de políticas públicas que garantam a integridade e o futuro do planeta. Para isso podemos iniciar em nossa cidade, bairro ou rua com pequenos gestos de cidadania, civilidade e participação comunitária que fazem a diferença.

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