O Dia da Mulher

Mais uma vez se aproxima o Dia Internacional da Mulher e a necessidade de escrever um texto que retrate a beleza, a grandeza, a importância, tudo o que a mulher significa para nossa sociedade. Em anos anteriores apresentei estatísticas da violência de gênero que continua com indicadores preocupantes. Abordei a injustificada diferença salarial, o assédio moral e sexual e outros aspectos que diferenciam o tratamento destinado aos homens e as mulheres.
Também já percorri a lista das cinco, dez, vinte maiores mulheres do mundo e do Brasil, exercício, aliás, fadado a gerar uma injustiça incalculável, pois muitos dos registros históricos deliberadamente omitiram a vida o e obra de valorosas mulheres.
Opto, então, por destacar as mulheres anônimas. Sim! Aquelas que mesmo presentes em nosso cotidiano, estão ausentes dos nossos projetos e das políticas públicas, tratados, planejamentos, enfim, são praticamente invisíveis. No mundo do trabalho elas estão presentes nas atividades de higiene e limpeza, nos escritórios, no comércio e indústria. Algumas ignoradas totalmente e outras recebendo o destaque pelo exercício de uma atividade historicamente masculina, como dirigir um caminhão. No lar, embora sendo o ponto de equilíbrio das famílias, em inúmeros casos continua renegada à participação coadjuvante nas decisões mais importantes, pois muitos homens mantêm a firme e equivocada convicção de que a mulher é “dona de casa” e que eles são os donos da casa, até mesmo delas.
Pretendo devotar algumas linhas para as mulheres que neste momento estão perambulando pelos campos de refugiados na Europa, para as que morrem de fome em alguns países da África, às submetidas a tradições de mutilação na Ásia e Oriente Médio. E àquelas que sequer podem escolher a cor ou modelo de suas vestimentas.
Mesmo com consideráveis avanços, seja por tradição, cultura ou religião, a mulher do século XXI, ainda, está muito distante de conquistar o mundo idealizado pelas primeiras heroínas francesas que lá, no século XIX queimavam sutiãs e lutavam pelo direito ao trabalho. Registre-se que a jornada de trabalho é justamente uma das maiores dificuldades da mulher contemporânea, obrigada a laborar fora e depois continuar a jornada em seu lar.
Muitas sucumbem diante da pressão e das cobranças em ter que ser a administradora da família e trabalho, mantendo a saúde e a beleza. A sociedade consumista exige uma mulher bonita, inteligente, produtiva, com atributos físicos especiais e, se possível, submissa. Para mudar este estereótipo temos que avançar muito no diálogo franco e qualificado.
Nesta semana, muitas mulheres trocariam as flores, cartões, chocolates, versos e canções, por presentes menos palpáveis, mas de valor infinitamente maior: respeito, dignidade, carinho e felicidade. Que todos os homens possam desenvolver a compreensão e sensibilidade para atender a esse pedido tão especial.

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