Não deixa o samba morrer

O carnaval de Ribeirão Preto está ficando diferente. Mais uma vez as tradicionais escolas de samba não desfilaram. Seguindo o exemplo de algumas cidades do interior, a Prefeitura de Ribeirão Preto optou por direcionar a verba para o combate à Dengue, Zika Vírus e Chikungunha.
Mesmo sem recursos públicos, os moradores de Bonfim Paulista mantiveram a tradição e resistência e foram brindados por belas apresentações da Unidos da Villa e Acadêmicos de Bonfim. Por aqui, clubes realizaram bailes, matinês e concursos de fantasias e algumas comunidades promoveram comemorações simples como no caso dos Embaixadores dos Campos Elíseos. A nota de destaque ficou para os blocos. Alegrões, Berro e Bloco da Vila que encantaram milhares de foliões e uniram gerações ao som de marchinhas e maracatu.
A opção de priorizar a saúde em detrimento à cultura recebeu a simpatia dos que pregam que em tempo de orçamento apertado o gestor precisa fazer as melhores opções. Mas a questão não é simplesmente colocar dois direitos básicos da sociedade em conflito. Vale a pena refletir sobre as razões pelas quais a cultura popular de matriz negra é sempre a primeira a ser prejudicada pela ausência de políticas públicas.
Alternativas existem, a mais medíocre é tratar o carnaval como algo descartável, inútil e oneroso, a mais sensata é planejar a destinação de investimentos privados e públicos garantindo a preservação da tradição e da cultura e aquecendo indústria, comércio, turismo, hospitalidade e prestação de serviços, com reforço na arrecadação de impostos.
A Riotur projetou que o Rio de Janeiro recebeu mais de um milhão de pessoas e aproximadamente R$ 3 bilhões foram injetados na economia local. Na capital paulista, o prefeito Fernando Haddad comemorou os mais de R$ 40 milhões em negócios gerados durante a Folia de Momo e esclareceu que o gasto com carnaval compensa. “Para cada R$ 1 investido, a cidade tem R$ 40 de retorno”, informou. Em Salvador foram gerados R$ 840 milhões e a ocupação hoteleira atingiu 97%, recebendo 560 mil visitantes, sendo geradas cerca de 230 mil vagas temporárias de emprego.
Quando Edson Gomes da Conceição e Aloísio Silva compuseram “Não Deixe O Samba Morrer”, eternizado por Alcione, sequer tinham noção que a maior ameaça à tradição carnavalesca seria a falta de planejamento de alguns gestores públicos e a presença inconveniente de um mosquito.
A maior festa popular do país não pode ser vista somente como problema, aliás, os números apontam que se bem organizada a cadeia produtiva do carnaval pode se transformar em uma bela solução. Planejamento Metropolitano SA. São cerca de 1,64 milhão de habitantes que movimentam um PIB de R$ 48,3 bilhões.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *