Fechando o Futuro

O mês de outubro começou de modo diferente em Ribeirão Preto, a informação de que quatro escolas estaduais seriam fechadas mobilizou professores, pais e alunos que realizaram atos de protesto. O tema chegou à Câmara Municipal onde vereadores deliberaram por convidar a dirigente regional de ensino para prestar esclarecimentos. A indignação é geral!
Acompanhei uma manifestação na tradicional Escola Estadual José Lima Pedreira de Freitas, na Vila Virgínia. Lá chegando observei uma viatura policial desnecessária, já que o movimento era pacífico e algumas crianças dialogavam com os soldados em perfeita harmonia. Professores vestiam luto e alunos empunhavam cartazes com frases de efeito, vários pais estavam revoltados.
Muitos tinham dúvidas sobre o futuro. Curiosamente, crescemos ouvindo que as crianças são o futuro do país e que a educação seria a solução para todas as mazelas. Assim, o ato de fechar escolas nos parece um atentado contra o futuro do cidadão.
A chamada reorganização do ensino é uma das metas estipulada pelo governo do estado que propõe o fim da escola com três ciclos. Para o secretário da educação a formação dos professores e o aprendizado dos alunos seriam melhores com unidades específicas para cada ciclo escolar. A opinião não compartilhada pelo sindicato da categoria que entende ser apenas uma mudança física sem preocupação pedagógica.
Há tempos os profissionais da educação defendem a necessidade de uma gestão democrática tanto na formulação quanto na implementação do projeto político-pedagógico. O que está ocorrendo é totalmente o contrário, decisões de gabinete impactando na vida de milhões de famílias. A desconfiança é justificável, não podemos esquecer a malfadada progressão continuada. Para conhecimento a rede estadual de ensino conta com 5.108 escolas e 3,8 milhões de alunos, estima-se que cerca de mil unidades serão afetadas, chegando a mexer com a rotina de dois milhões de alunos.
Segundo a secretaria de estado da educação, o estado teve redução de dois milhões de alunos em sua rede, o entendimento de muitos é de que o fechamento de escolas seria mais uma medida de economia do que de planejamento. Até o momento não se falou em redução do número de alunos por sala ou ampliação de escolas de tempo integral medidas que teriam melhor efeito na qualidade do ensino.
Em momento como o que estávamos vivendo é sempre bom recordar de Paulo Freire que disse: “Não nego a competência, por outro lado, de certos arrogantes, mas lamento neles a ausência de simplicidade que, não diminuindo em nada seu saber, os faria gente melhor. Gente mais gente”. A bela mobilização da comunidade aponta um caminho que deveria ser trilhado pelo governo paulista. Uma dose de humildade seria suficiente para que os gestores convidassem a população e a comunidade escolar para participarem da organização da educação com o compartilhamento de ideias, experiências e informações. Desta forma nasceria um plano de ação mais legítimo e capaz de proporcionar as respostas aos atuais problemas do sistema de ensino.

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