Defendendo a mesma bandeira

O país vive um momento especial em sua história e todos nós somos partes envolvidas. Alguns adotam a postura de atores principais e outros de coadjuvantes, muitos se colocam como meros expectadores, outros como plateia de reality show, sem esquecer os que se comportam de modo semelhante aos grupos violentos de torcidas organizadas.
Com o advento das mídias sociais, um mesmo fato recebe as mais variadas versões e as mais estranhas interpretações, porém não existe um aprofundamento na análise para se conhecer a verdade motivacional e as consequências. Podemos citar o tema combate à corrupção, presente no cotidiano nacional como um extrato cultural, agora desperta a atenção e mobilização de muitos, o que é bastante positivo, mas traz o vício da seletividade já que muitas vezes se denuncia as falhas alheias para ocultar as próprias.
Poucas vezes na história recente se falou tanto na Constituição, em algumas oportunidades sem sequer conhecê-la, pessoas citam artigos ou parágrafos específicos descontextualizados para justificar determinadas condutas. Práticas somente encontradas em Estado de Exceção são comemoradas, como se os fins justificassem os meios. É como defender a pena de morte para crimes de outrem e defender o direito à vida e liberdade quando um familiar próximo é o acusado.
Falando sobre a Carta Magna, recordo que ainda, acadêmico de direito, vivi o processo de alteração constitucional e aprovação da chamada “Constituição Cidadã de 1988” que cunhou alguns princípios basilares, entre os quais, o Estado Democrático de Direito.
O Estado Democrático de Direito deve ser o que garante a convivência humana digna que possibilita uma sociedade livre e solidária. Para tanto existe a regulação por meio de leis justas e representação popular adequada. Uma de suas marcas é a livre e ativa organização social e política onde ideias opostas são livremente expostas.
Recentemente conversei com alguns colegas que confidenciaram que a convivência social está ficando muito difícil. No culto religioso, na partida de futebol ou no almoço de domingo, quando o tema é política existe um descontrole emocional e uma passionalidade tamanha que amigos, irmãos, pais e filhos estão se atacando mutuamente. Até o ambiente familiar, celeiro primeiro do amor, está maculado pela perniciosa semente do ódio.
O processo de construção democrática em nosso país ainda é jovem, está em curso, mas corre o sério risco de um irreparável retrocesso. Todos os brasileiros, independente do lado que se posicionam no momento, devem defender a mesma bandeira: a da garantia dos direitos e do funcionamento regular das instituições democráticas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *