A tal pirâmide social

A tal pirâmide social Ainda recordo das aulas de estudos socais quando pela primeira vez ouvi falar em pirâmide social. Compreendi que a grande maioria da população está na base e poucos estão no topo. Naquele tempo os Paralamas do Sucesso gravaram a música “A Novidade” que contava a história de uma sereia que aparecia nas praias tupiniquins e acabava devorada por esfomeados. O refrão era: “O mundo tão desigual, tudo é tão desigual. De um lado esse carnaval, de outro a fome total”. Esta realidade mundial foi refletida intensamente no Brasil até que nos últimos anos foram implementadas algumas políticas públicas de distribuição de renda e combate à miséria e à pobreza.
Avançamos bastante, mas para minha decepção um estudo recente da ONG britânica Oxfam Internacional apresentou uma realidade mais cruel do que a existente em minha adolescência. A população considerada mais rica do planeta, formada por 37 milhões de pessoas, ou seja, 1% possui mais dinheiro do que os outros 99% juntos. Registra-se que são consideradas ricas as pessoas com bens no valor superior a 800 mil dólares. Elas acumulam mais de 50% dos bens e patrimônios mundiais. Na segunda parte da pirâmide, ou seja, o grupo dos 99% também existe outra divisão cruel onde 20% possuem quase todo o patrimônio e os outros 80% dividem pouco mais de 5%. A pergunta de onde esse pequeno grupo de privilegiados consegue tanto dinheiro é natural e a resposta interessante. Os setores de finanças, seguros, serviços médicos e indústria farmacêutica são as grandes molas propulsoras das fortunas. Com tanto capital, a influência sobre governos é natural, o que explica a alteração de orçamentos e impostos canalizando mais recursos para quem menos precisa.
Assim o mercado financeiro cria um mundo paralelo de uma riqueza virtual regulada por juros, taxas e indicadores de difícil compreensão. A saúde de baixa qualidade vai empurrando os pacientes para os convênios e seguros de saúde. A medicina suplementar cresce de modo vertiginoso e as doenças proliferando por países que se tornaram reféns das patentes dos medicamentos concentradas nas mãos das poucas multinacionais.
Alguns economistas contestam a metodologia utilizada pela Oxfam que simplesmente considera o cálculo do patrimônio líquido, ou seja, os ativos menos a dívida, mas não apresentam outro método melhor. O certo é que além da crítica, a ONG apresenta propostas de redução da desigualdade como a mobilização de governantes, sociedades e organismos financeiros para combate à sonegação, limitação dos paraísos fiscais, ampliação das políticas de distribuição de renda, entre as quais, a promoção de diretos e a igualdade econômica das mulheres, a garantia de salários mínimos e a redução dos salários dos altos executivos. Acesso a serviços públicos como saúde e educação também são necessários.
Um famoso economista brasileiro criou a teoria do bolo que consistia em “fazer o bolo crescer, para depois dividi-lo”. Poucos comeram o bolo e os benefícios econômicos daquela fase não chegaram aos mais necessitados que continuaram com as migalhas. Agora o alerta mundial é que podemos entrar em um colapso, pois os pobres estão morrendo de fome e os ricos empanzinados com os bens acumulados.

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