A consciência é libertária

Recentemente tomei conhecimento da história de Harriet Tubman, uma afro-americana que nasceu escrava, sofreu uma série de agressões e, após fugir do cativeiro, dedicou sua vida à libertação de outros escravos. Após o fim da escravatura ela tornou-se ativista do direito ao voto feminino. Para alguns ela é comparada a Moisés, o personagem bíblico que, orientado por Deus, libertou seu povo do Egito e o conduziu até a terra prometida.
Tubman é autora da frase: “Libertei mil escravos. Eu poderia ter libertado mais mil, se simplesmente eles soubessem que eram escravos.” Sentimento semelhante deve ter tido Moisés quando ouviu os impropérios de alguns que diziam: “É melhor ser escravos dos egípcios do que morrer no deserto.” Êxodo 14:12
A escravidão reduz a dignidade humana e até mesmo, em muitos casos, a capacidade de compreensão da situação. Quando falo sobre a escravidão, não me limito à física, mas estendo à escravidão de sentimentos e conceitos. Por vezes a família, a religião, a escola e a imprensa que deveriam nos libertar, acabam nos escravizando.
Na vida pessoal, empresarial, estudantil e política os questionamentos são naturais. Podemos defender nossos posicionamentos até à morte. Também podemos mudar de opinião, podemos mudar de posição, podemos recuar diante da constatação de que estávamos equivocados, mas para que isto ocorra necessitamos da possibilidade de conhecer a verdade.
A humanidade vive hoje escrava da mídia, seja ela a grande e poderosa televisão, o rádio, os periódicos, sejam as chamadas mídias sociais. O bombardeio de informações ou a ausência de formação cria uma geração que repete informações, frases e defende conceitos sem aprofundamento nos seus verdadeiros sentidos e objetivos.
Diante da polarização política imposta no momento cabe a cada um a reflexão sobre a própria vida e luta. Ao aderir a um lado, estamos conscientes? Conhecemos as virtudes e mazelas de ambos ou simplesmente somos conduzidos como gado?
No passado se lia o horóscopo apesar de saber que não era verdadeiro e várias pessoas dirigiam suas atenções prioritariamente àquela coluna. Apesar da farsa, as palavras de otimismo, a cor e número de sorte pareciam tornar seu dia melhor. Agora indago, hoje ao folear um jornal, sintonizar uma rádio ou telejornal podemos confiar na isenção e veracidade da informação ou estamos sendo manipulados, iludidos e escravizados? Um provérbio árabe já alertava: “Não acredite em tudo o que ouve, porque quem acredita em tudo o que ouve, muitas vezes julga o que não vê”.
Harriet Tubman também dizia que: “Todo grande sonho começa na mente de um sonhador. Lembre-se de que você tem, dentro de você, a garra e a paciência para atingir as estrelas e mudar o mundo.” Nestes tempos em que sonhamos com um país melhor e com novas posturas, é indispensável que tenhamos a real consciência de quem são os atores e quais papéis desempenham. Para chegar ao lugar que desejamos é necessário planejar o caminho, providenciar os meios e escolher bem as companhias.
Respeitando os conceitos políticos e ideológicos, recordo que uma nação somente é livre e soberana quando garante a liberdade de expressão, a organização sindical, a pluralidade partidária e a democracia representativa com oposição política. O regular funcionamento das instituições e a independência e harmonia dos poderes devem ser garantidos. Como já referi em textos anteriores, o judiciário e o parlamento não podem ser transformados em Tribunais de Exceção.
Creio que é com esta consciência libertária que todos deveriam se portar no histórico dia de hoje.

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